Planta do litoral brasileiro tem eficácia medicinal comprovada em novo estudo
08/01/2026
(Foto: Reprodução) A planta é predominantemente rasteira, sendo muito comum em áreas litorâneas no Brasil e no continente africano
curcu34/ iNaturalist
Uma planta comum no litoral brasileiro, usada há gerações por comunidades costeiras para aliviar dores e inflamações, teve suas propriedades medicinais confirmadas por um estudo científico recente.
Conhecida como periquito-praia (Alternanthera littoralis), a espécie demonstrou ação anti-inflamatória, analgésica e antiartrítica em testes com modelos experimentais.
O uso popular da planta já era difundido entre moradores de regiões costeiras, que costumavam consumir até duas xícaras do chá por dia como alternativa aos medicamentos industrializados.
Esse hábito chamou a atenção de pesquisadores, que decidiram investigar cientificamente se os efeitos atribuídos à planta tinham, de fato, base científica.
Extrato da espécie tem ação anti-inflamatória, analgésica e até antiartrítica
Arielle Cristina Arena
A pesquisa contou com a colaboração dos pesquisadores Marcos Salvador (Unicamp), Cândida Kassuya (UFGD) e Arielle Cristina Arena (Unesp Botucatu), e buscou unir o conhecimento tradicional à ciência, avaliando tanto a eficácia quanto a segurança do extrato vegetal.
“Sabíamos que as pessoas usavam, mas não tínhamos dados rigorosos que mostrassem se aquilo funcionava de verdade e se era seguro”, explica Arielle Cristina Arena, pesquisadora da Unesp.
Os testes realizados até o momento incluem avaliações de toxicidade aguda – quando há apenas uma exposição à substância – e subaguda, que simula um período de uso semelhante ao consumo habitual do chá. Nessas fases iniciais, não foram observados sinais de toxicidade, o que indica um bom perfil de segurança preliminar.
Apesar dos resultados promissores, os pesquisadores alertam para os riscos da automedicação. Ainda não há dados conclusivos sobre a dose adequada, possíveis contaminações ou interações com outros medicamentos.
O Brasil tem grande tradição na validação de plantas com potencial medicinal, especialmente para espécies usadas na medicina popular
Arielle Cristina Arena
“Nem sempre o que é natural é seguro”, ressalta Arielle. Antes que a planta possa ser indicada para uso terapêutico, ainda são necessários estudos sobre os efeitos do uso prolongado, impactos no organismo a longo prazo e possíveis riscos durante a gestação.
Um dos aspectos que mais surpreendeu a equipe foi a consistência dos efeitos contra dor e inflamação, observada de forma recorrente nos experimentos.
A partir disso, a expectativa é investigar se a periquito-praia pode dar origem a um medicamento fitoterápico ou servir como base para o desenvolvimento de novos fármacos.
A pesquisadora também destaca o papel da biodiversidade brasileira na produção de conhecimento científico.
“O Brasil tem grande tradição na validação de plantas com potencial medicinal, especialmente aquelas utilizadas na medicina popular. Esse tipo de estudo é importante porque transforma o saber tradicional em evidência científica”, afirma.
Nesse contexto, a conservação ambiental é um fator decisivo. Segundo Arielle, a perda de habitats naturais compromete diretamente a pesquisa científica e o potencial de descoberta de novos tratamentos.
“Sem conservação, perde-se variabilidade genética, espécies ainda pouco estudadas e até possibilidades futuras de novos medicamentos. A pesquisa responsável depende do uso sustentável dos recursos naturais e da preservação ambiental”, conclui.
Sobre a espécie
A espécie pode dar origem a um medicamento fitoterápico ou servir como base para o desenvolvimento de novos fármacos.
felipemoretto1/ iNaturalist
A periquito-praia (Alternanthera littoralis) é uma planta de porte rasteiro, bastante comum em áreas litorâneas do Brasil e também do continente africano.
Trata-se de uma espécie halófita, ou seja, adaptada a ambientes com alta concentração de sais no solo ou na água. Cresce principalmente em regiões costeiras e apresenta floração e frutificação ao longo de todo o ano.
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